Imagens de Introdução


Retratística do poder; Metáfora dos cegos de Bruegel; pintura de corte; Caravaggio e o papel de vítima; olhar de Velázquez; Goya; Alvores do Iluminismo;






Ticiano, Retrato de Frederico II Gonzaga, Duque de Mantua, 1514. Exemplar retrato da simbólica do poder.


Hans Holbein, Os Embaixadores, 1533. Com uma anamorfose que representa uma caveira.


Pieter Bruegel, O Velho, Parábola da Cegueira. É uma excepção à pintura do poder, pois é uma parábola dos sistemas, transmitindo e cultivando outras realidades para além do poder dos fortes e do saber das elites. É na tradição flamenga, que depois se vai consubstanciar na pintura holandesa do séc. XVII, em que a atenção foca-se nos humildes e não apenas nos poderosos. A critica da parábola representa  um cego que conduz os outros cegos para o abismo, sendo uma metafora extraordinária daquilo que se está ainda  hoje em dia.


Anónimo, Gabrielle d'Estrées e uma das irmãs, 1595. Em pleno séc. XVI em França com o maneirismo internacional. São duas irmãs, sendo que uma é a amante do rei (loira). Trata-se de uma cena do quotidiano, requintada e própria de uma situação de corte, sem que isto represente qualquer suspeição de lesbianismo ou de vago erotismo. Eram situações comuns de intimidade, apesar de poucos terem capacidade para tomar banho.


El Greco, Sonho de Filipe II ou A adoração do nome de Jesus, 1580. Em pleno séc. XVI é uma visão fantasmagórica da religião. El Greco é um homem bastante torturado e faz parte de uma geração católica já bastante dilacerada com a rutura entre católicos e protestantes, não é por acaso que apesar de grego foi para Toledo. 


Giuseppe Arcimboldo, Outono, 1573. Arcimboldo e o maneirismo de praga, onde se faziam estas figuras típicas representantes de uma forma de preciosa de entender a realidade. Evidentemente que isto era uma espécie de divertimeto de corte, em que as pessoas se reconheciam (ou não), tal como acontece no retrato em flores do Imperador Rodolfo II.


Antonio de Pereda, A Alegoria da Vida ou A Alegoria da Vaidade do Mundo, 1637. E mais uma vez a alusão à morte, mas aqui sem anamorfose como na obra Os Embaixadores de Holbein.


Caravaggio, Judite a decapitar Holofernes, 1598. Autorretrato no papel de Holofernes, pois o artista gostava de se representar nestas poses de vítima.


Gian Lorenzo Bernini, Êxtase de Santa Teresa, 1647-52. 


Etienne Le Hongre, O Sena, Versailles, 1669-71. 


Georges de la Tour,A Fraude com o Ás de Ouros, 1635. Tem influência de Caravaggio e como tal também pinta pessoas anónimas, ao contrário daquilo que é representado pelos pintores da corte de Luís XIV.


Diego Velázquez, Infante Philip Prosper, Filho de Philip IV, 1659. Um retrato dos pequenos infantes particularmente comovente, porque este vai morrer. Em contraste, para criar uma atmosfera de ligeireza, presenciam o cãozinho muito feliz e os brinquedos pendurados na roupagem. Velázquez  tinha um olhar extraordinário sobre as coisas e tinha uma certa dificuldade de idealizá-las, demonstrado no retrato do papa que foi rejeitado por corresponder demasiadamente a verdade.   


Johannes Vermeer, A Jovem com o Jarro de Água, 1662-65. 


Rembrandt, A Carcaça de um boi, 1606.


Antoine Watteau, As Festas de Veneza, 1717. Séc. XVIII com Rocaille: O último grande tempo da aristocracia francesa, cujo  modelo é imitado por toda a europa, tal como foi copiado o modelo italiana no séc. XVI.


Jean-Batptiste-Siméon Chardin, Uvas e Romãs, 1763. Demonstra-se aqui o contraponto daquilo que são as festas galantes do rocaille com este realismo burgues simples minimal.


Étienne-Louis Boullée, Utopia da Biblioteca do Rei, 1785. No séc. XVIII já o alvor de um pensamento racionalista em oposição àquilo que tinha sido o espírito do rocaille.


Jacques Louis David, A Morte de Marat, 1793. O neoclassicismo com a homenagem laica e com uma tipologia completamente religiosa, pois isto parece uma deposição num túmulo de cristo, mas é um herói de figura francesa de David: Marat.


Francisco Goya, Gatos a lutar, 1746-1828. Uma espécie de metáfora de dois irmãos a lutar, neste caso a ideia de uma guerra civil.


Francisco Goya, Saturno a devorar o Filho, 1819-23. A ideia do tempo que devora os alvores de uma modernidade que se anuncia.