Análise: Rafael Sanzio, Retrato do Cortesão

Alain Jaubert, Palettes, 1992-95.




Três artistas foram tão importantes que ainda hoje representam paradigmas absolutos da arte, independentemente do tempo onde se inserem. São três figuras que encarnam o classicismo: São três figuras que encarnam o classicismo: Rafael Sanzio, Leonardo D'Vinci e Miguel Ângelo.Todos em comum têm uma lição florentina e são extraordinariamente considerados no seu tempo - são intocáveis devido à consciência dos italianos da sua genialidade absoluta.


Rafael foi sempre clássico, apesar da sua última obra apontar já para outra dimensão. O papel de perfeito cortesão, de sprezzatura da civilização (Castiglione) encarna perfeitamente todas as dimensões em Rafael, ao contrário do enigmático Leonardo da Vinci, apesar de ter inventado o guardanapo (Origem das maneiras à mesa). Já Miguel Ângelo afasta-se deliberadamente deste modelo. A morte de Rafael foi tão marcante que Picco della Mirandola diz que o Vaticano ameaça ruína com a sua morte.



Hoje a ideia de cortesãos deixou um rasto pejorativo de gente bajuladora. Mas na ausência de um estado burocratizado, esta teve o papel fundamental e civilizador como uma situação de pré-estado. E vai ser a função de administração dos estados, ainda muito pouco empírica, que consegue estabelecer focos de cultura e riqueza. Portanto, a corte é de facto a instituição chave do renascimento.