Parte 1.1. Sob signo de Narciso: da luz e da visão


1.1 Luz: natureza, propriedades

1.1 Luz: natureza, propriedades e comportamentos.



mito de narciso

Narciso é um rapaz belo da mitologia clássica grega que foi amaldiçoado pela deusa Afrodite a se apaixonar pelo seu reflexo na margem do rio. Ao contrário da noção narcisista de Freud, Narciso não tem a consciência de que o ser na margem não existe na verdade. Só mais tarde é que descobrirá que é um amor impossível, que se apaixonou por ele próprio, que tudo aquilo é uma ilusão.

O mito de narciso é a personificação do primeiro observador que sofre pela ambiguidade entre ilusão e realidade, entre a perceção e verosimilhança. Também personifica o seu amor pelas imagens mais forte do que realidade.

É o fundador da pintura (Leon Alberti), pois simboliza a vontade da pintura em representar o mundo o melhor possível de tal modo a se confundir com o próprio mundo.

É o símbolo da criação artística, dado que o artista cria para ele próprio (Gombrich). Isto porque a dupla condição de artista envolve ser o primeiro observador da sua criação e consequentemente o modelo de observador. O modo como ele se comporta perante a sua criação servirá de modelo para aquilo que ele espera que aconteça com os outros observadores.



luz

Sem luz não há visão.

Definição básica de perceção visual: é a capacidade visual de detetar estruturas físicas e acontecimentos temporais. Essa é a necessidade de sobrevivência de qualquer ser vivo no meio ambiente.

Ora para conseguir ter perceção tem que ser sensível à receção de uma forma de energia: luz. É ela que transmite mais informação do meio ambiente e que pode gerar calor – ambos essenciais à sobrevivência. E espécies diferentes têm necessidades diferentes, pelo que existem estruturas do olho diferentes.

Luz – comporta-se como uma dupla propagação de radiação eletromagnética no espaço: um conjunto de ondas em deslocação ondulatória e um conjunto de partículas – fotões/quantum – em deslocação retilínea.

Velocidade – 300.000 km/s (Einstein) e é a maior que pode existir no universo (no vazio). Em meios matéricos quanto mais denso é a matéria, menor é a velocidade, e vice-versa. (Newton).


Comprimento de onda - distância de um pico ao outro consecutivo, que será sempre igual na mesma onda. Caso mude de comprimento, então toda a onda muda e transforma-se noutra onda diferente. Não existe uma onda com diferentes comprimentos.

Unidade de medida é o nanómetro (λ ou nm). 1nm = 10-9 metros = 0,000000001 metros.

Energia luminosa é inversamente proporcional ao seu comprimento de onda. Isto é, as ondas luminosas de grande comprimento de onda têm pouca energia e vice-versa. (Max Planck)
Radiação eletromagnética – a luz tem partículas e ondas, e essas ondas não são todas iguais. Há ondas elétricas e ondas magnéticas.

Espectro da radiação electromagnética – apenas transformamos em visão todas radiações com o comprimento de onda entre 400 nm a 700 nm radiação visível (James Maxwell). As outras radiações que compõem a luz imitida pelo sol são invisíveis, mas podem ser traduzidas visualmente para nós se tivermos tecnologia para isso. Por exemplo não somos sensíveis aos infravermelhos mas com uns óculos especiais é possível vermos a informação que fornece: a temperatura corporal.
Ver a aparência do mundo não é uma coisa absoluta. A radiação visível é apenas −1/8 das radiações conhecidas, mas contêm 36% da energia e informação do espectro.

Espectro da radiação visível – a luz esbranquiçada que vemos na radiação visível é também composta por várias radiações com aparências cromáticas diferentes: vermelha, laranja, amarela, verde, azul e violeta (prisma de Newton).

Ver a aparência cromática do mundo não é uma coisa absoluta. As abelhas conseguem ver um pouco mais de 400nm e mais de 700nm, pelo que veem cores que não nunca iremos ver.

Vemos o mundo com uma luz esbranquiçada porque a visão é sintética, pois se fosse analítica veríamos o ar divido em radiações vermelhas, azuis, etc.

Entre cientistas e os artistas houve um mal-entendido pois os artistas afirmavam desde o renascimento que as cores primárias eram apenas 3, e não 6 ou 7. Além disso a união dessas cores não resultava branco, mas sim um cinzento esquisito. Mas a verdade é que os artistas falavam de misturas químicas com os pigmentos e os cientistas de misturas físicas da cor.



interação da luz com a matéria





Continuação: 

Parte I. 1.2 Olho: Estruturas e Processos e Teoria da Forma Visual: Imagens