Maneirismo


Parte 1: Topus artístico; Contexto histórico; Mentalidades; Situação Social da arte;


Topus Artístico

Roma, início séc.16. Situações locais em França, Praga, Veneza, Flandes e Espanha. 1520 morte de Rafael; 1522 surto de peste que mata muita população; 1527 é o saque de Roma. Estas datas compõem o início do maneirismo que vai durar 60 anos.


contexto histórico

    O aparecimento do maneirismo deve-se também razões exteriores de grandes mudanças sociais: (1) a crise religiosa com a Reforma. Repentinamente a europa vê-se dividida na fé, e que em nome do mesmo deus prestam-se as maiores séries de ignomínias absurdas.

    Em 1527 ocorreu o saque de Roma pelas tropas do católico Carlos V, mas a invasão teve razões políticas devido ao papa que se tornou aliado ao seu inimigo.

   Neste início do séc. 16 houve uma refeudalização da europa e uma tendência de definição dos estados nacionais com um poder centralizado e burocrático: o rei. Os próprios burgueses vão se tornar terratenentes.


MENTALIDADES

    Surge um certo ceticismo religioso em que se percebe que já não se pode contar com a religião para o processo de salvação coletivo, quanto mais individual.

   O maneirismo começou a valorizar o sentido cronológico. Isto é uma novidade porque as pessoas tinham como weltanschauung uma noção qualitativa do tempo e da vida, em oposição da noção quantitativa e valorização das horas. A ideia que se tinha da história e de progresso era de uma conceção circular, de eterno retorno – isto relacionação com o tempo agrário e com o ciclo das estações



SITUAÇÃO SOCIAL DA ARTE

   Assiste-se a uma dispersão dos artistas da corte do papa. Uns permanecem em Itália mas outros vão para o centro da europa ou para França. Deste modo dá-se o aparecimento dos maneirismos locais nas cortes aonde foram bem acolhidos. 
    O criticismo teórico surge em foco, marcando um tempo que reflete sobre a arte, e esta por sua vez reflete desvairadamente sobre ela própria. É uma época de proliferação de tratados artísticos e de criação da primeira academia (del Disegno). 

    A tomada consciência que é necessário estudar arte para se fazer arte fez surgir uma diretiva aos artistas de leitura de três clássicos: (1) História Natural de Plínio, o Velho; (2) Arquitetura de Vitrúvio; e (3) Metamorfoses de Ovídio.


PARADIGMAS

    O dilema paradoxal do maneirismo é ter uma admiração excessiva pelo classicismo (pintar à maneira de dos grandes, daí maneirismo), mas simultaneamente recusar-se a tornar num academismo (anacronismo) de repetições sem sentido. Tem-se a consciência que se atingiu um momento glorioso inultrapassável, mas que é necessário fazer agora algo diferente. 

    Vasari define o desenho como pai de todas as artes (disegno: desígnio, projeção). Essa vocação intelectual e abstrata da arte vão tornar-se cada vez mais uma apropriação da forma florentina de atuar. Linearismo, intelectualismo, abstração – marcas da arte florentina.