Maneirismo


Parte 2: Situação Plástica; Expressões Locais; Olhar de Hoje;



Situação Plástica

A arte do maneirismo é profundamente aristocrática na sua dimensão civile na sua dimensão religiosa é uma enorme tensão que prevalece. Agora a arte é exótica, especiosa, estranha, com algum erotismo desbragado (gravuras de Raimondi) e joga-se com vários códigos complexos de leitura. 

    É uma arte de afastamento da natureza. Agora os artistas criam a partir daquilo que são os próprios textos e a própria criação anterior, sendo de certo modo o primeiro pensamento da arte pela arte.

    Existe uma diversidade temática (sagrado da bíblia, e profanos das metamorfoses de Ovídio) e uma liberdade formal absoluta: (1) deslocação dos temas principais (Bruegel Queda de Ícaro) onde se irrisa moralmente a dimensão heroica (Dom Quixote de Cervantes); (2) deformações como a anamorfose; a (3) figura serpentinada (El Greco) substitui a figura de contraposto.

  Modelo de oposições entre Classicismo e Maneirismo: Masculino x Feminino; Dimensão do logos/racionalidade x Mistério; Equilíbrio x Instabilidade; Unidade x Divisão; Visa a integração x visa a desintegração; Forma x Deformação; Dignidade x Liberdade; Ordem x Rebelião; Círculo x Elipse; Contenção x Artificialismo; Teologia x Magia; Dogmatismo (ortodoxia) x Misticismo; Luz x Dissimulação. 

    Noções de oposição entre Maneirismo e Barroco: Arte esquizoide: instável, partida, aristocrática, leve (Maneirismo) X Arte paranoica: profundidade, popular (Barroco). 


EXPRESSÕES LOCAIS


  
França Rei Francisco I – a grande e único responsável é o rei. Devido à rivalidade com o Sacro Império Romano-Germânico e principalmente com o papado, decide a invadir Florença (entre outras cidades) com a suposta justificativa de ocupação do trono de Nápoles. Em consequência assiste-se à perda de importância de Florença (para além do episodio de Savonarola), mas também a uma fascinação do Rei Francisco I pela cidade. 
    Teve a consciência das absolutas maravilhas que Itália oferece, e que (1)não existe nada que se compare em França. Ele apercebe-se que (2)dimensão artística é fundamental para a afirmação do poder político.
     Assim o rei logo que pode chama Leonardo Da Vinci e todos os artistas disponíveis de Itália para França. Algumas figuras do início do maneirismo como Rosso Fiorentino vão para frança e lá vão formar a primeira escola maneirista francesa. A sede artística vai ser o Palácio de Fontainebleau


+  Praga Imperador Rodolfo II – A capital da antiga Boémia, e hoje da Republica Checa, era o centro do Sacro Império Romano-Germânico. O imperador da linha de Habsburgos era um colecionador ávido e um protetor dos artistas (Arcimboldo) e dos intelectuais (Copérnico). É responsável pela sistematização dos processos dos seus antepassados de catalogação de obras de arte e da sua disponibilização em salas chamadas de Kunstkammer (salas de arte) e Wunderkammer (Gabinetes de curiosidades).


+  Veneza – Esta cidade investe numa visão mítica da própria cidade do que nas suas figuras de poder. É em Tintoretto (Milagre do Escravo) e Veronese (Perseu e Andrómeda) que denotam marcas maneiristas quase expressionista nas fortes perspetivas compositivas, nos gestos dramáticos, e nas cores ácidas. Porém ambos mantêm uma prelação à cor luminosa e a uma panóplia de minúcia de influência flamenga tão própria da academia veneziana. 


+  Flandres – Uma das figuras importantes é Bruegel (discípulo de Bosch) que traz o modelo de realismo muito pouco usual


+  Espanha – É o artista El Greco que vai tomar as rédeas do maneirismo na sua vertente sacra e espiritual, ao contrário da generalidade do maneirismo internacional.  


OLHAR DE HOJE

   No séc. XVIII a XX o maneirismo foi considerado como um episódio maldito da história da arte, sendo visto como decadência com gostos contranatura. Esta perspetiva depreciativa denota-se imediatamente pelo nome que se dá ao movimento. 

    A partir do séc. XIX através do romantismo deixou-se de haver uma censura moral em relação ao maneirismo e deixou-se de erigir o classicismo como o grande modelo, em que todos os desvios eram menores.





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