Parte 1.2. Sob signo de Narciso: da Luz e da Visão


1.2 Olho: estruturas e processos




estrutura do olho (parte não retiniana)

Definição básica do olho – estruturas anatómicas e fisiológicas que um dado ser tem para recolher luz.

Estrutura do olho – pode ser dividida em duas partes:

Retina – película concava na parede opaca (Kepler) branca a vermelhada dos nossos olhos.

Aparelhagem não-retiniana – tem a função coletiva de recolher, conduzir (pela refração) e projetar nas melhores condições possíveis a luz na retina.

  A córnea está em contacto direto com o exterior. É uma parede transparente e convexa que recolhe e conduz (refração) desde logo a luz. É elástica, transparente mas resistente. Tem um sistema de segurança, e um sistema de manutenção e de autolimpeza (lágrimas e pálpebras). Está permanentemente humedecida tanto no exterior pela lágrima, como no interior pelo humor aquoso, que também a alimenta com os nutrientes necessários, pois tal como o cristalino, não está ligada ao circuito sanguíneo.

   A íris é um músculo anelar pigmentado (melanina), pelo que é opaca. Tem a capacidade de abrir e fechar a pupila, de modo a controlar e conduzir uma parte da quantidade e qualidade de luz que chega à retina. O tamanho da pupila humana é cerca de 2mm a 8 mm. Nunca fecha totalmente, e mesmo as pálpebras fechadas deixam passar luz porque não são totalmente opacas. Quanto mais intensidade luminosa ou mais profundidade de campo (ver ao longe), a pupila abre menos. Quanto menos intensidade ou menos profundidade de campo (ver ao perto), mais aberta. (albinismo)

    A lente cristalina é densa, transparente e biconvexa para conduzir (refração) a quantidade e a trajetória na luz. É feita de várias camadas sobrepostas entre si sem estarem agarradas a algum lado de modo conseguir mudar de forma (designa-se de acomodação).

A soma de poder refrativo da córnea, do humor aquoso, do humor vítreo e do cristalino na sua posição normal, dá 59 dioptrias de poder refrativo. Dioptria é uma unidade de medida da refração da luz, podendo servir para medir o que cada pessoa perde de capacidade visual ao perto ou ao longe. Ora 59 dioptrias não permitem ver bem o mundo à nossa frente, apenas permite ver com nitidez o mundo para lá dos 6 metros. Então a solução para poder ver tudo o que está a menos de 6m é refratando a luz ainda mais – por isso é que o cristalino muda de forma, aumentando a convexidade interior e exterior. (miopia)