Cubismo: Excesso de Representação


Fase Analítica ou Hermética; Construção Teórica e Formal;


Parte 2.


• Fase Analítica ou Hermética só vai depender de Picasso e Braque.


CONSTRUÇÃO TEÓRICA

Temos uma Fragmentação em pequenos símbolos resultante do estilhaçar das referências do mundo (no início parecia só deformar a partir do centro). São pequenos signos que são resgatados de diferentes perspetivas e são lançados tentando agrupar neste plano e ainda a segurar essa figura. (Picasso, Menina com Bandolim, 1910)




Mas com este entra e saí do fundo acontece uma Dissolução do referente. Portanto, o excesso de referente vai provocar uma perda de reconhecimento do referente – é este o paradoxo do cubismo hermético. E quase parece uma abstracção, não o sendo de facto porque existe ainda a força do estar perante o real. 

O momento mais quente desta dissolução do referente é quando fazem retratos porque, por contraste, o retrato é a questão que mais exige uma identificação do sujeito, exige um reconhecimento. (Retrato de Vollard)

Quarta dimensão é no sentido do tempo do olhar. Cada perspetiva diferente é uma janela diferente, um tempo de olhar diferente. Pelo que é exigido ao pintor que esteja em vários lados ao mesmo tempo – como isso é humanamente impossível, o pintor tem que estar simultaneamente em diferentes tempos




CONSTRUÇÃO FORMAL

A certa altura dá-se o aparecimento das letras. Nessa fusão de elementos, neste puxar tudo para o mesmo plano faz tornar estas letterings de publicidade parte da composição. As letras já apareceram muitas vezes em obras ao longo do tempo, mas são sempre absorvidas normalmente enquanto elementos referenciais. Aqui Braque antecipou aos futuristas (mesmo com a parole libertá de Marinetti) e ao próprio Picasso, que responde logo com Ma Jolie

Esta fragmentação faz com que a própria luz que incide nas arestas perca a unidade. Em consequência acentua-se o sentido monocromático e até uma estranha textura meio pontilhista. E pequenos jogos de claro-escuro tentam ainda manter uma determinada leitura. Há quem fale até num lirismo desta textura monocromática e um lirismo na forma de mediação destes pequenos signos do mundo.